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LIONS CLUBE DO RIO DE
JANEIRO |
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Um dia, um determinado dia, nasce um ser humano, que cresce, se educa, prepara-se para enfrentar a luta cotidiana pela sobrevivência e já então no exercício da plenitude de suas qualificações vem a constituir-se em elemento produtivo da sociedade, desempenhando cuidadoso as funções que lhe cabem no concerto harmônico das atividades pragmáticas de seu meio ambiente. É, todavia, um predestinado! Sua vida é calma, pacífica, perfeitamente orientada, nada obstante as vicissitudes normais da existência e, mêrce de suas qualidades inatas de liderança, de seus brilhantes atributos intelectuais, mas, sobretudo pela retidão de caráter, pela elevação de princípios e pela nobreza do gesto, é personalidade que se destaca entre seus concidadãos, que se distingue nas várias e múltiplas incumbências cuja responsabilidade assume. Constitui, sem dúvida, o modelo do chefe de família que cumpre escrupulosamente suas obrigações, exercendo seus direitos e satisfazendo a seus deveres de cidadania e está, por suas virtudes cívicas, sempre atento aos reclamos da coletividade a que serve. Eis, senão quando, ex-abrupto, em seu manso lago azul há uma fulguração, um estalo, uma centelha que fere fundo sua consciência, que inunda e empolga seu coração. Foi tocado por alguma coisa transcendente, por algo que veio dar nova dimensão à sua existência, que veio proporcionar-lhe uma motivação definida, um objetivo determinado, um ideal grandioso para o resto de seus dias. Ele é fascinado pela doutrina de MELVIN JONES, pelo entendimento de que SERVIR constitui a meta suprema dos homens de bem, de que existe algo de colossal, de magnífico a ser feito no Brasil, a tarefa ingente da propagação da idéia que poderá mitigar os sacrifícios dos menos favorecidos, que poderia levar conforto aos desprotegidos, mas principalmente, que propugnará pelo progresso da Pátria, pela compreensão entre todos os homens e pela paz Universal. E esta meta será colimada partindo-se da unidade, da célula, da parcela mínima da sociedade, constituída pela comunidade residencial ou profissional. É, de fato, um predestinado! Lança, então, mãos à obra. Arregimenta seus amigos. Convoca companheiros. Fala, persuade, convence e, finalmente, a 16 de abril de 1952, em solenidade memorável, é fundado o primeiro Lions Clube do Brasil. Fora dado o primeiro passo. A semente é fecunda, o terreno feraz. Dentro em pouco, qual cristalina linfa que desce de píncaro azulado e recebendo novas águas, vai, aos poucos, engrossando, crescendo, até que estruge, rebenta, explode em torrente caudaloso, o movimento leonístico em risonha e inolvidável hora introduzido em nossa terra, desenvolve-se, avança, agiganta-se e avassalante se estende a todos os rincões brasileiros. Agora, milhares de Lions Clubes espalham por todo o Brasil as benesses do Leonismo através do Serviço Desinteressado posto em prática por milhares de companheiros que acreditam em "Servir pelo Ideal altruísta e tranqüilo de Servir". Foi longa a caminhada. Houve espinhos, houve rosas, mas cumpriu-se a predestinação. O colosso, contudo, está fatigado pela enormidade da missão que chega a seu termo. Baqueia, e chamado pelo senhor dos Exércitos, volta ao princípio de todas as coisas, entregando sua alma ao Criador. Sua glória, porém, é imperecível e sua memória permanecerá granítica e indelével em nossos corações, através das idades. Sobre seu túmulo será bastante esta inscrição consagradora: ARMANDO FAJARDO LEÃO NÚMERO UM DO BRASIL.
ARMANDO FAJARDO nasceu em Madalena, Estado do Rio de Janeiro, em 12 de outubro de 1893 Filho de tabelião e neto de fazendeiro. Meninice de interior até os 13 anos, quando veio para o Rio de Janeiro continuar os estudos. Fez o secundário no internato do Colégio Pedro II e bacharelou-se em Direito. Bom estudante, melhor desportista. Casou-se em 1924, com D. Branca Tavares Fajardo. Ocupou vários cargos de relevo na vida pública e possui inúmeros títulos honoríficos nacionais e estrangeiros que muito o dignificam. Assim, entre outros, foi Secretário-Geral da Universidade do Brasil; Secretário do Conselho Universitário; Oficial de Gabinete de três Ministros de Educação; Secretário dos Institutos de Alta Cultura, Luso-Brasileiro, Franco-Brasileiro e Teuto-Brasileiro; foi um dos fundadores do primeiro Reitorado do Brasil; ocupou funções destacadas no esporte e no turfe brasileiro. Tomou contato com o Leonismo através de seu cargo de Diretor do Jockey Club Brasileiro quando, no Uruguai, assistia ao clássico "Armando Fajardo"- homenagem que, até hoje, lhe prestam por haver pacificado os turfistas de Montevidéu. Na capital cisplatina, impressionou de tal sorte os dirigentes de Lions Internacional que motivou um honroso convite - ser o introdutor do Leonismo no Brasil. Haviam escolhido o homem certo: em 16 de abril de 1952, era fundado, com 40 sócios, nosso primeiro Clube de Lions, célula inicial do LC Rio de Janeiro, posteriormente denominado de LCRJ-Centro, e atualmente de LCRJ-Mater Clube do Brasil. Fajardo foi seu primeiro Secretário; não quis de início a Presidência, incumbindo então, o médico ARNALDO DE MORAES para tal.. Com o dinamismo, a palavra fácil, cativante e convincente de Armando Fajardo, o movimento cresceu célere em nossa terra. Impossível, nos moldes deste trabalho, enumerar todos os cargos ocupados e as campanhas realizadas, pelo "Construtor" do Leonismo brasileiro e, bem assim, os títulos e condecorações que recebeu. Eis o probo e exemplar chefe de família, o amigo leal, o homem dotado de uma indômita força de vontade - Assim foi o saudoso Leão nº 1 do Brasil. Faleceu em julho de 1969.