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LIONS CLUBE DO RIO DE JANEIRO |
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Estas palavras são de Melvin Jones, o fundador do leonismo, em resposta a sua mulher, Rose Jones, que o advertia de "estar matando-se pelos outros sem que ninguém lhe pagasse nada."
Elas definem o profundo espírito de solidariedade humana que
marcava, desde a juventude, a personalidade de Jones e que o moveu a criar e
incentivar, incansavelmente, durante muitos decênios, o Lions Internacional.
Melvin Jones nasceu em Fort Thomas, Arizona, Estados Unidos, a 13 de janeiro de
1879. Seu pai era o capitão Calvin Jones, comandante de uma tropa de
exploradores, sob as ordens do general Nelson Miles, famoso na luta contra os
índios. Sua mãe, Lidia Giber Miles, deu-o à luz e criou-o em meio às constantes
ameaças de assalto dos indígenas. As memórias da infância de Melvin eram uma
mescla de tropas uniformizadas de azul, cavalos de combate, clarins, comboios,
gente curtida pelo sol e muita poeira. Ainda há pouco tempo ele recordava com
que felicidade acompanhou a transferência de seu pai para um pôsto no Norte,
recebida por sua mãe com lágrimas de alegria. A família Jones fêz escolas em St.
Louis, Missouri e em Quincy, Illinois, onde o menino Melvin frequentou as
escolas. Era, porém, uma instrução precária que ele supriria mais tarde,
frequentando a Universidade. Refletindo a instabilidade da vida da família,
durante sua infância, dizia "não poder decidir-se se seria advogado ou tenor".
Mas, ao chegar a Chicago, abandonou as leis e a música, obtendo um emprêgo na
agência de seguros de Johnson & Higgins. Em 1909 conheceu Rose Freeman, com quem
se casou. Rose fêz brilhante carreira esportiva, tornando-se vencedora do
Campeonato Feminino Nacional Livre de Golfe, em 1925. Foi sua companheira e seu
braço direito nos negócios, durante muitos anos. Em 1913, Melvin era
proprietário da Melvin Jones Insurance Agency, e progredia. Um dia em que estava
em seu escritório - próspero agente de seguros aos 33 anos de idade - um
conhecido seu do comércio convidou-o a um almôço, "para apresenta-lo a alguns
rapazes". Estes eram os sócios do Clube de Negócios de Chicago, que celebravam
sua reunião semanal no velho restaurante "Boston Oyster House", e deram boas
vindas ao novo companheiro, fazendo-o sentir-se como em casa. O Clube de
Negócios, como centenas de clubes em todo o país, era integrado pelos principais
homens de negócios e profissionais da comunidade. Os sócios eram clientes entre
si, faziam propaganda uns dos outros, ajudavam-se mutuamente. Melvin Jones
tornou-se logo sócio. Pertencer ao Clube era um privilégio mas, para ele, também
era um desafio a sua capacidade empreendedora. Logo vitalizou o conjunto da
organização, introduzindo idéias novas em seu funcionamento. Em 1915, já
perguntava, diante do crescimento do Clube, e de outros congêneres em várias
cidades, porque essa grande força coletiva não havia de ser encaminhada para
servir, desinteressadamente, a outros setores da comunidade, mais necessitados.
Em 1916, seguindo suas idéias sobre a ação coletiva, começou a escrever a outros
clubes, sondando-os a respeito da formação de uma associação nacional. Seu
escritório de seguros converteu-se num centro de atividades, onde ele e sua
mulher trabalhavam dias e noites respondendo à avalanche de cartas cheias de
perguntas com que muitos contestavam suas sondagens. Algumas eram alentadoras.
Outras diziam: "Cuide de si, cuidaremos de nós". Porém do tumulto de tantas
palavras nasceu a idéia nova do clube para servir a comunidade. Naquelas noites
de 1916, no escritório de seguros de Chicago, nascia o espírito leonístico, para
transformar-se em realidade. Finalmente, com o acúmulo de dados e estímulos
colhidos na correspondência, visitando outros clubes e em longas conferencias
com seus associados, Melvin Jones propôs a filiação do Clube de Negócios a um
conjunto de clubes. A idéia foi aceita pelos diretores. A 7 de junho de 1917,
convidados por Jones vinte delegados representando 27 clubes de várias partes
dos Estados Unidos, reuniram-se na sala leste do Hotel La Salle de Chicago.
Desta reunião surgiu o leonismo. Houve dificuldades para a escolha do nome da
associação e havia feito anteriormente propaganda do nome de lions em apoio do
qual realizara extensa investigação da heráldica, da zoologia e das tradições -
estava convencido de que o leão simboliza valor, força, fidelidade e ação. Por
votação secreta decidiu-se que a nova agrupação chamar-se-ia Associação dos
Lions Clubes. Ai estava o núcleo do leonismo destinado a desenvolver a prática
do companheirismo e do serviço desinteressado aos homens. A organização seria
aperfeiçoada na primeira convenção (Dallas, 8 a 10 de outubro de 1917) e na
segunda (St. Louis, agosto de 1918). Mais tarde vieram a adoção do emblema,
côres oficiais, Código de Ética, Objetivos e um Estatuto de forte conteúdo
institucional. Melvin Jones continuou com sua agência de seguros em Chicago, até
1926, mas muito antes já a havia posto em segundo plano, dedicando-se
principalmente ao leonismo. Seu esforço fez a organização crescer
vertiginosamente. Em 1950 recebeu o título de secretário geral perpétuo do Lions
Internacional. Em 1958 a esse título foi acrescentado o de comendador. Antes, em
1953, inaugurara o grande edifício próprio da associação na Av. Michigan. Em
1954 morreu sua mulher Rose, companheira de 45 anos. Dois anos mais tarde, numa
cerimônia simples casou-se com Lillian M. Radigan, que o acompanhou até sua
morte. O escritório de Melvin Jones, no quarto andar da matriz internacional, é
hoje conservado, como lembrança eterna do homem que dedicou toda uma vida, uma
poderosa inteligência e um grande coração a ajudar desinteressadamente a
humanidade.
Em 1952 Armando
Fajardo traz o leonismo para o Brasil através da fundação do
Lions
Clube do Rio de Janeiro.
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