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   A GLICEMIA, A HEMOGLOBINA GLICOSILADA E A FRUTOSAMINA NA AVALIAÇÃO DO CONTROLE DO DIABETES

Dr. Izidoro de Hiroki Flumignan - crm 5245054-3
izidoro@flumignano.com

O pioneiro estudo multicêntrico americano sobre evolução das complicações do diabetes, o DCCT, demonstrou que o diabetes bem controlado pode reduzir o aparecimento de retinopatia diabética em 76%, da neuropatia diabética em 69% e da nefropatia diabética em 40%, em comparação com os diabéticos mal controlados. Neste estudo estatístico, verificou-se que para cada 1% da redução da hemoglobina glicosilada A-1 reduzem-se em 50% os riscos de complicações crônicas. Nota-se então, que a evolução das citadas complicações é diretamente proporcional a qualidade do controle glicêmico. O excesso de glicose no sangue (hiperglicemia) provoca uma  reação química do tipo glicosilação, ou glicação não enzimática, que podem ser reversíveis ou não, dependendo do tempo da duração da hiperglicemia e do tipo da proteína. A hemoglobina é uma molécula que se localiza dentro da hemácia e é glicosilada de maneira irreversível, marcando-a até sua destruição natural, por volta de 3 meses, quando então, novas hemácias a substituem. É devido a esta glicosilação que a mesma é chamada de hemoglobina glicosilada.  Entende-se portanto o porquê que a dosagem da hemoglobina glicosilada representa o controle médio glicêmico dos últimos 3 meses.   O mesmo acontece com a frutosamina, que é a glicosilação da albumina, uma proteína sanguínea com ciclo médio de 3 semanas. Portanto, a dosagem da frutosamina representa a glicemia média das últimas 3 semanas. É através da hemoglobina glicosilada e da frutosamina que analisamos a qualidade do controle a longo e médio prazo do diabetes. Já, a glicemia representa a quantidade de glicose do sangue daquele exato momento. Estes exames são muito importantes para a administração do controle glicêmico, pois as informações produzidas dirigem as tomadas de decisão tanto do médico como a do paciente, facilitando o estabelecimento das dosagens e dos tipos de medicamentos, assim como o nível do rigor dietético. Vê-se portanto, também, a importância da monitorização glicêmica ambulatorial, o "teste do dedinho", cuja freqüência deve ser proporcional a instabilidade da glicemia, pois é através dos ajustes dietéticos, dos medicamentos e dos exercícios físicos é que podemos conseguir os melhores resultados da hemoglobina glicosilada e da frutosamina, conferindo a prova necessária do bom controle do diabetes. Veja abaixo um dos gráficos conclusivos do citado estudo DCCT que relaciona os níveis de hemoglobina glicosilada e as complicações do diabetes.

Os níveis de hemoglobina glicosilada de 6% é o esperado para as pessoas normais e os objetivos qualitativos recomendado para demonstrar a excelência da terapêutica do diabetes são os seguintes:

Adultos e jovens menor que 7 %
Fase puberal menor que 8,5
Crianças pré-púberes menor que 8,0
Idosos entre 7 a 8 %
Gestantes menor que 6% *

A tabela acima segue as orientações oficiais recomendados pela IDF e SBD, adaptadas pela experiência do autor.

** Na gestante diabética ou no diabetes gestacional o controle é melhor avaliado pela monitorização glicêmica capilar, pela monitorização contínua da glicemia ou pela frutosamina.

A hemoglobina glicosilada deve ser medida de 2 a 4x ao ano, dependendo do conselho do médico. Há também uma correlação entre os níveis de hemoglobina glicosilada e a média glicêmica, demonstrado na tabela abaixo:

05 % 100 mg%
06 % 135 mg%
07 % 170 mg%
08 % 205 mg%
09 % 240 mg%
10 % 275 mg%
11 % 310 mg%
12 % 245 mg%

Os níveis da hemoglobina glicosilada pode ser inferiorizados devido a presença de anemias, seja por hemorragia ou por carência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico; excesso de vitamina C ou E; aumento dos triglicerídeos; uréia; bilirrubinas ou hemoglobinas anormais. 

Dr. Izidoro de H. Flumignan, crm 52.45054-3, atualizado em 29/01/2010  ©

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