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 ORIENTAÇÃO GERAL DA DIETA PÓS-OPERATÓRIA DA CIRURGIA BARIÁTRICA

Dra. Monique de Oliveira Pinto – nutricionista

                   A cirurgia de redução do estômago cria a sensação que você está com o estômago cheio e satisfeito após ter se alimentado. Após a alimentação, a pequena bolsa do estômago é dilatada por pouca quantidade de comida e é criada a sensação de estar com o estômago cheio de alimento. A distensão da pequena câmara gástrica envia sinais ao cérebro, gerando a sensação de saciedade.

        A perda de peso é muito intensa principalmente durante as duas primeiras semanas após a cirurgia. O ritmo acelerado de emagrecimento continua a ser observado até o terceiro mês e, a partir de então, passa a ser mais lento. Este é um processo natural de adaptação fisiológica que faz com que o organismo passe a gastar menos energia diariamente para evitar que a perda de peso rápida e permanente leve à desnutrição e aos conseqüentes riscos à saúde como a queda da resistência à infecções, desmineralização óssea, dentre outros.

        A nutrição exerce um papel fundamental porque a quantidade e o tipo de alimentos a serem consumidos devem ser limitados. A principal mudança na alimentação após a cirurgia é uma diminuição importante na quantidade de alimentos consumidos diariamente devido a redução do estômago. Porém, outros cuidados com a alimentação são fundamentais. É muito importante a seleção de alimentos que contenham nutrientes saudáveis e que estejam adequados às necessidades de cada indivíduo para que a rápida perda de peso não leve à desnutrição.

                Fase inicial da alimentação liquida: esta fase compreende as duas primeiras semanas após a cirurgia e caracteriza-se com uma fase de adaptação, onde o objetivo nesse período é manter repouso gastrintestinal, cicatrização adequada e hidratação, fazendo-se necessário o uso de complementos nutricionais para evitar carências protéicas e de vitaminas e sais minerais.

                Nos primeiros quinze dias a ingestão da dieta é de consistência liquida, com progressivo aumento do volume após esse período, mas mantendo a consistência liquida. A ingestão de líquidos deve ser de no mínimo 1,5 litros/dia; esse volume evitara a formação de cálculos renais.

                Após as primeiras 48 horas pós-operatório será iniciado a ingestão de pequenos volumes (30ml a cada 20 minutos equivalente a duas colheres de sopa) de água sem gás, água de coco, chá de cor clara (camomila, erva doce, erva cidreira), suco de caju, maça e pêra (todos coados sendo os dois últimos cozidos).

                Paciente com boa tolerância aumentará para 50ml a cada 20 minutos (um copinho de café), podendo introduzir Gatorade®, caldos, gelatinas e suplementos, NÃO podendo utilizar açúcar ou similares (mel, karo®, açúcar mascavo, açúcar orgânico), sopas artificiais, temperos industrializados, gorduras, balas e chicletes.

Neste período serão utilizados caldos de carne (músculo, patinho, acém ou chã), frango (carcaça de peito de frango ou filezinho de peito) ou peixe, acrescido de vegetais como cenoura, batata, chuchu, abóbora, beterraba, espinafre, bertalha ou agrião.

Utilizar somente como temperos: sal (pouca quantidade), tomate, cebola inteira sem refogar, salsinha e cebolinha.

Preparo dos caldos (coar em coador Mellita®)

1)  Colocar para cozinhar com água a carne ou frango. Conforme for cozinhando retire a gordura que fica em cima. Depois de bem cozido espere esfriar e coloque na geladeira de um dia para o outro. No dia /seguinte retire a gordura que ficou por cima e acrescente os vegetais a água da carne. Deixe cozinhando, depois retire somente o caldo e coe antes de ingerir. Do 5º ao 7º dia retire as folhas e bata somente os vegetais no liquidificador e depois coe.

2)  Caldo de carne moída. Temperar a carne magra moída com cebola, salsinha e um pouco de sal. Colocar a carne em uma panela e cubri-la com água. Pegar outra panela maior para cozinhar esta carne em banho-maria e em fogo baixo. Deixar cozinhando até a carne ficar esbranquiçada. Na hora de ingerir coe em coador Mellita® somente o caldo da carne.

Obs1: Os caldos podem ser utilizados no volume e intervalo recomendado acima, completando um volume de 150 a 200ml. Obs2: Iniciar a ingestão dos líquidos em colher de cafezinho para evitar goles grandes, quando aumentar o volume passe para a colher de chá.

                Na segunda semana iremos passar para a dieta liquida completa, onde será introduzido sopas batidas e coadas, leite desnatado, iogurte natural desnatado e coado, sem pedaços e mantendo 50ml a cada 20 minutos.

                Na Terceira semana é a fase de engrossar a sopa batendo no liquidificador por cinco a sete minutos e não precisando coar, acrescentando caldo de feijão e suco de frutas sem coar.

       Na quarta e quinta semana fase da evolução de consistência: de acordo com a tolerância e as necessidades individuais, a alimentação vai evoluindo de liquida para pastosa com a introdução de preparações liquidificadas, cremes e papinhas ralas. A evolução de cada paciente é variável de forma que a escolha de cada alimento deve ser acompanhada cuidadosamente para evitar desconforto digestivo como dor, náuseas e vômitos, esta fase tem um tempo de duração diferente para cada indivíduo porém, em média, dura em torno de 02 semanas. Serão acrescentadas frutas em forma de purês ou raspadas (mamão, pêra, maça e banana – previamente cozidos); purês de vegetais, purês de carne, frango e peixe, arroz papa, macarrão bem cozido ao sugo, batata amassada e introdução de torrada com requeijão ou cottage.  OBS.: utilizar pires e colher de chá, onde será colocada uma colher de sopa de cada grupo de alimento.

Na sexta semana é a fase da seleção qualitativa e mastigação exaustiva: passado o primeiro mês após a cirurgia, inicia-se uma fase onde a seleção dos alimentos é de fundamental importância, pois, considerando que as quantidades ingeridas diariamente continuam muito pequenas, deve-se dar preferência aos alimentos mais nutritivos escolhendo fontes diárias de ferro, cálcio e vitaminas. Como a alimentação passa a ser mais consistente deve-se mastigar exaustivamente. A duração desta fase também varia individualmente e dura em média 01 mês.

Entre o segundo e terceiro mês a alimentação vai evoluindo gradativamente para uma consistência cada vez mais próxima do ideal para uma nutrição satisfatória. Geralmente, esta fase ocorre a partir do 3º mês após a cirurgia quando, quase todos os alimentos começam a ser introduzidos na alimentação diária. O cuidado com a escolha dos alimentos nutritivos deve continuar pois, as quantidades ingeridas diariamente continuam pequenas. Nesta fase o paciente pode ser capaz de selecionar os alimentos que lhe tragam mais conforto, satisfação e qualidade nutricional. Somente não são tolerados alimentos muito fibrosos e consistentes.

E a partir do quarto mês, como nas fases anteriores também evolui de acordo com as características individuais podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois do 4º mês. A partir desta fase, um acompanhamento periódico faz-se necessário somente para o acompanhamento da evolução de peso e levantamento de informações para identificar se existem carências nutricionais como, por exemplo, a anemia. O paciente já tem bastante segurança na escolha dos alimentos e está apto a compreender quais são os alimentos ricos em proteínas, glicídios e lipídios, cálcio, ferro, vitamina A, vitamina C, folatos além de outras propriedades nutricionais.

• Durante esse processo você deverá saber diferenciar a fome fisiológica e as vontades dos alimentos. A nova bolsa gástrica possuirá uma capacidade limitada, fazendo com que você se satisfaça com pouca quantidade de alimento. As restrições alimentares serão passageiras e devem ser respeitadas para o sucesso da sua cirurgia, caso contrario ocorrera problemas relacionados ao descumprimento da dieta.

Possíveis Complicações da Cirurgia Bariátrica:

• Síndrome do Dumping:   Ocasiona, sintomas de mal estar, taquicardia, dor abdominal, diarréia e sudorese.  A causas é a ingestão excessiva e repentina de açúcares e doces em geral. Para prevenir é importante cumprir o limite de ingestão de carboidratos de absorção rápida numa só vez e manter a alimentação em intervalos adequados.

• Fístula: É o vazamento de suco gástrico pela anastomose (sutura) feita no aparelho digestivo. Somente ocorre no pós operatório imediato e há testes para garantir o bom fechamento. Os sintomas e sinais são de dores abdominais e infecção após a alimentação. Ocorre também no pós operatório imediato o vazamento de líquidos pelo dreno mais escuros e espessos. A causa é o  rompimento dos grampos e/ou da sutura do aparelho digestivo por fatores múltiplos como a infecção, a fraqueza dos tecidos, a ingestão exagerada de alimentos inadequados na fase pós-operatória imediata antes da cicatrização completa do aparelho digestivo.

• Estenose ou estreitamento da anastomose, ou estômago excessivamente reduzido. Os sintomas são a dificuldade de ingerir os alimentos associados com vômitos e dores.

•  Incapacidade de mudar de fase na realimentação: A causas pode ser a inflamação no local da cirurgia, úlceras no aparelho digestivo, ingestão de alimento em quantidade ou consistência inadequadas antes da cicatrização. O tratamento pode ser através da endoscopia digestiva para a   dilatação do esôfago e estômago através de balão. As vezes pode ser necessário reoperação.

 Resumo da Orientação Nutricional Pós Cirurgia Bariátrica

  1. A alimentação nos primeiros 30 dias após a cirurgia será constituída apenas de líquidos não calóricos, não podendo utilizar nenhum alimento solido.
  2. Ingerir cerca de 2 litros de líquidos por dia, tomados em pequenos goles, de 50 em 50 ml, a cada 20 minutos, enquanto  acordado.
  3. Caldos ralos (carne magra, frango sem pele, peixe e legumes), evitando acrescentar no caldo os amiláceos (arroz, batata, macarrão, mandioca, mandioquinha, cará, inhame), gelatinas dietéticas, refrescos diluídos, água de côco, bebidas isotônicas (Gatorade®, etc...), leite desnatado, iogurte natural desnatado batido com leite desnatado e/ou frutas, chás quentes ou gelados.
  4. Dilua sempre os sucos industrializados líquidos, evitando aqueles com corantes e conservantes.
  5. Tempere os caldos habitualmente, mas não esqueça de coar.
  6. O leite e o iogurte também devem ser coados quando estiverem batidos com frutas.
  7. Não consuma líquidos calóricos como: milk-shakes, leite condensado, creme de leite, sorvetes, flans, pudins, chocolates, etc...) pois são ricos em açúcar e podem causar: diarréia, tontura, fraqueza, sudorese, palpitações, taquicardia, rubor, dispnéia, sonolência, desmaios, náuseas, vômitos e dores abdominais.
  8. Não consumir bebidas alcoólicas.

Dra. Monique de Oliveira Pinto

Nutricionista

 

 

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Página atualizada em 10/02/2010

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