LIONS CLUBE DO RIO DE JANEIRO
Mater Clube do Brasil
Fundação : 16 / 04 / 1952 - A.I.L.C. 3140-016542 – Distrito LC-1
Sede Própria : Rua Alcindo Guanabara 24 / 1113 - Cinelândia
Rio de Janeiro – RJ - Brasil – CEP 20038-900

www.materclube.org

 
BRANCA FAJARDO
  A domadora número 1 do Brasil
- A força feminina pioneira no Lions Internacional -

Esposa de ARMANDO FAJARDO
 o Fundador do Lions Clube do Rio de Janeiro, o primeiro Lions Clube do Brasil.

     A história da liderança do leonismo brasileiro não pode ser contada apenas a partir de grandes cargos, datas ou atos formais.

     A liderança também é feita de presenças discretas, de trabalhos silenciosos e de parcerias humanas que compartilharam sonhos quando tudo ainda era apenas uma ideia.

     Nesse contexto, a trajetória de BRANCA TAVARES FAJARDO ocupa um lugar singular e permanente na memória do Lions Clubs International.

     A biografia de Branca Fajardo, esposa de Armando Fajardo, confunde-se com a própria certidão de nascimento do Leonismo no Brasil.

     Nascida no Rio de Janeiro em 14 de maio de 1907, Branca Fajardo cresceu em um ambiente de sólida formação cultural e valores altruístas que moldaram uma mulher de distinção, sensibilidade social e extraordinária capacidade de articulação pessoal.

     Ao casar-se com Armando Fajardo em 1924, futuro fundador do Leonismo no Brasil em 1952, tornou-se muito mais do que esposa: foi companheira de missão, sustentáculo moral e força organizadora de um projeto que mudaria para sempre o serviço voluntário no Brasil.

     Quando Armando Fajardo sonhou em trazer o Lions Clubs International ao Brasil encontrou em sua esposa apoio incondicional e dedicação prática. Enquanto ele estruturava o movimento sob o aspecto institucional, ela construía os vínculos sociais, organizava recepções, aproximava lideranças e conferia credibilidade e prestígio ao nascente Leonismo brasileiro.

     Seu papel foi decisivo para que o primeiro Lions Clube do país se afirmasse junto à sociedade carioca, na época Capital do Brasil, se expandisse com rapidez e solidez por todo o país.

     Como anfitriã oficial do Leonismo brasileiro em seus primeiros anos, Branca Fajardo recebeu autoridades e dirigentes internacionais, acompanhou o marido em viagens pelo Brasil e pelo exterior e representou, com elegância e firmeza, a mulher brasileira no cenário leonístico mundial.

     Sua postura serena, seu senso de responsabilidade cívica e sua capacidade de diálogo contribuíram decisivamente para a reputação e compromisso que o Lions brasileiro conquistou desde o início.

     Em uma época em que as mulheres não podiam ser associadas formalmente ao Lions, Branca assumiu naturalmente a liderança feminina, tornando-se a grande referência das então chamadas “Domadoras” e sob sua orientação, nasceu a primeira "Liga de Domadoras do Brasil" a partir do Lions Clube Rio de Janeiro – Centro, hoje Mater Clube do Brasil.

     Mais do que um grupo de apoio, essas ligas tornaram-se o verdadeiro braço social do movimento, posteriormente chamadas de "Lioness", organizando ações de assistência a gestantes, crianças, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade.

     Com o falecimento de Armando Fajardo em 1969, Branca, com 62 anos, não se afastou do movimento, pelo contrário, tornou-se guardiã da memória fundadora do Leonismo no Brasil.

     Por mais de três décadas, esteve presente como conselheira, convidada de honra e referência histórica em convenções e eventos, mantendo viva a essência do serviço desinteressado que marcou a origem da instituição.

     Branca Fajardo faleceu em 1º de setembro de 2005, aos 98 anos, no Rio de Janeiro, após dedicar praticamente toda a sua vida ao ideal leonístico em que seu marido foi pioneiro.

     Seu funeral reuniu lideranças de todo o país e simbolizou o reconhecimento coletivo a uma mulher que, mesmo sem cargos formais, exerceu liderança discreta e atuante, verdadeira e transformadora.

     Se Armando Fajardo é lembrado como o “Leão Número 1” do Brasil, Branca Fajardo permanece na história como a “Domadora Número 1 do Brasil”, título concedido na Convenção Nacional de Lions Clubes de 1992 realizada em Santos - SP.

     Celebrar a vida de Branca Fajardo é reconhecer que o sucesso do Leonismo brasileiro nasceu do trabalho conjunto, da parceria equilibrada e do entendimento de que grandes causas só florescem quando homens e mulheres caminham lado a lado, unidos pelo mesmo ideal de servir.

     No universo do Lions Clubs International, essa trajetória de valorização feminina possui raízes profundas e uma conexão inseparável com o Brasil.

      Embora as Domadoras já realizassem o trabalho social exemplar, não possuíam o status formal de associadas até 1987, sendo que a transição para associada "Companheira Leão" foi um processo de empoderamento defendido ferrenhamente pelo Presidente Internacional João Fernando Sobral, o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de Presidente Internacional da associação (1976/1977), cuja campanha eleitoral Branca Fajardo participou ativamente, pois ambos acreditavam que o Lions não poderia desperdiçar tamanha reserva de talentos e competências femininas.

     Embora em 1987 ele já atuasse como Past-President, seu nome permanece fortemente vinculado à 70ª Convenção Internacional de Taipei por ter sido o “autor da moção original” que, anos antes, propunha a admissão de mulheres como sócias — uma visão que foi finalmente aprovada e celebrada em julho daquele ano.

      A concretização desse ideal teve o Brasil como palco principal. A primeira mulher a tomar posse oficialmente como associada ativa, com pleno direito a voto e cargos, foi a brasileira Maria Nydia Manzano de Freitas, apadrinhada pelo CL Salvador Sindona Filho, em evento histórico que ocorreu em 4 de julho de 1987, no Lions Clube de Assis, em São Paulo, apenas três dias após a aprovação da mudança estatutária em Taiwan, simbolizando o fim de uma restrição de sete décadas e abriu caminho para uma nova era.

     A história registra ainda outros marcos femininos fundamentais que pavimentaram este caminho.

     Desde 1925, com Helen Keller sendo nomeada a primeira Sócia Honorária e desafiando os Leões a serem os "Paladinos da Visão", passando pela dedicação de Rose Amanda Freeman, esposa do fundador Melvin Jones e peça-chave na fundação da associação em 1917, até a consagração de líderes como Louise Colombani, a primeira governadora (França, 1991), e Gudrun Yngvadottir, a primeira mulher a assumir a Presidência Internacional em 2018.

      No Brasil, a ascensão feminina às governadorias de distrito ganhou força no Ano Leonístico 1995/1996, com a posse simultânea de quatro pioneiras: Maria Seleneh S. M. Pires (Distrito L-2), Tereza Costa e Silva (Distrito L-3), Maria Letícia B. Gonçalves (Distrito L-5) e Wilma Borges Barreto (Distrito L-14).

     Posteriormente, a liderança se expandiu com Maria Rosilene Mestre Medeiros, a primeira mulher a presidir um Conselho de Governadores (2003/2004), e Dalva Ivone Chiapin Nobre de Azevedo, que assumiu a presidência do Distrito Múltiplo LB em 2019/2020.

      Atualmente, em pesquisa realizada pelo autor em março de 2026, a participação feminina no Lions Internacional é vibrante: enquanto a média mundial feminina gira em torno de 27%, na América Latina e no Brasil esse percentual alcança impressionantes 43,5%, provando que o legado de inclusão iniciado em 1987 continua a florescer e a transformar comunidades em todo o país.

Autor: CL Izidoro de Hiroki Flumignan









Foto editada pelo autor através da IA a partir de foto original.





 





   MENU PRINCIPAL