BRANCA FAJARDO A domadora número 1 do Brasil
- A força feminina pioneira no Lions Internacional -
o Fundador do Lions Clube do Rio de Janeiro, o primeiro Lions Clube do Brasil.
A história da liderança do leonismo brasileiro não pode ser
contada apenas a partir de grandes cargos, datas ou atos formais.
A liderança também é feita de presenças discretas, de trabalhos silenciosos e de
parcerias humanas que compartilharam sonhos quando tudo ainda era apenas uma
ideia.
Nesse contexto, a trajetória de BRANCA TAVARES
FAJARDO ocupa um lugar singular e permanente na memória do Lions Clubs
International.
A biografia de Branca Fajardo, esposa de Armando Fajardo, confunde-se com a própria certidão de nascimento do Leonismo no Brasil.
Nascida no Rio de Janeiro em 14 de maio de
1907, Branca Fajardo cresceu em um ambiente de sólida formação cultural
e valores altruístas que moldaram uma mulher de distinção, sensibilidade
social e extraordinária capacidade de articulação pessoal.
Ao casar-se com Armando Fajardo em 1924, futuro
fundador do Leonismo no Brasil em 1952, tornou-se muito mais do que esposa: foi
companheira de missão, sustentáculo moral e força organizadora de um
projeto que mudaria para sempre o serviço voluntário no Brasil.
Quando Armando Fajardo sonhou em trazer o Lions Clubs International
ao Brasil encontrou em sua esposa apoio incondicional e
dedicação prática. Enquanto ele estruturava o movimento sob o aspecto
institucional, ela construía os vínculos sociais, organizava recepções,
aproximava lideranças e conferia credibilidade e prestígio ao nascente
Leonismo brasileiro.
Seu papel foi decisivo para que o primeiro
Lions Clube do país se afirmasse junto à sociedade carioca, na época
Capital do Brasil, se expandisse com rapidez e solidez por todo o país.
Como anfitriã oficial do Leonismo brasileiro
em seus primeiros anos, Branca Fajardo recebeu autoridades e dirigentes
internacionais, acompanhou o marido em viagens pelo Brasil e pelo
exterior e representou, com elegância e firmeza, a mulher brasileira no
cenário leonístico mundial.
Sua postura serena, seu senso de
responsabilidade cívica e sua capacidade de diálogo contribuíram
decisivamente para a reputação e compromisso que o Lions brasileiro
conquistou desde o início.
Em uma época em que as mulheres não podiam ser
associadas formalmente ao Lions, Branca assumiu naturalmente a
liderança feminina, tornando-se a grande referência das então chamadas
“Domadoras” e sob sua orientação, nasceu a primeira "Liga de Domadoras
do Brasil" a partir do Lions Clube Rio de Janeiro – Centro, hoje Mater
Clube do Brasil.
Mais do que um grupo de apoio, essas ligas
tornaram-se o verdadeiro braço social do movimento, posteriormente
chamadas de "Lioness", organizando ações de assistência a gestantes,
crianças, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade.
Com o falecimento de Armando Fajardo em 1969,
Branca, com 62 anos, não se afastou do movimento, pelo contrário, tornou-se guardiã
da memória fundadora do Leonismo no Brasil.
Por mais de três décadas, esteve presente como
conselheira, convidada de honra e referência histórica em convenções e
eventos, mantendo viva a essência do serviço desinteressado que marcou
a origem da instituição.
Branca Fajardo faleceu em 1º de setembro de
2005, aos 98 anos, no Rio de Janeiro, após dedicar praticamente toda a
sua vida ao ideal leonístico em que seu marido foi pioneiro.
Seu funeral reuniu lideranças de todo o país e
simbolizou o reconhecimento coletivo a uma mulher que, mesmo sem cargos
formais, exerceu liderança discreta e atuante, verdadeira e transformadora.
Se Armando Fajardo é lembrado como o “Leão
Número 1” do Brasil, Branca Fajardo permanece na história como a
“Domadora Número 1 do Brasil”, título concedido na Convenção Nacional
de Lions Clubes de 1992 realizada em Santos - SP.
Celebrar a vida de Branca Fajardo é reconhecer
que o sucesso do Leonismo brasileiro nasceu do trabalho conjunto, da
parceria equilibrada e do entendimento de que grandes causas só
florescem quando homens e mulheres caminham lado a lado, unidos pelo
mesmo ideal de servir.
No universo do Lions Clubs International, essa trajetória de valorização feminina possui raízes profundas e uma conexão inseparável com o Brasil.
Embora as Domadoras já realizassem o
trabalho social exemplar, não possuíam o status formal de associadas
até 1987, sendo que a transição para associada "Companheira Leão" foi
um processo de empoderamento defendido ferrenhamente pelo Presidente Internacional João Fernando Sobral,
o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de Presidente Internacional da
associação (1976/1977), cuja campanha eleitoral Branca Fajardo
participou ativamente, pois ambos acreditavam que o Lions não poderia
desperdiçar tamanha reserva de talentos e competências femininas.
Embora em 1987 ele já atuasse como Past-President,
seu nome permanece fortemente vinculado à 70ª Convenção Internacional
de Taipei por ter sido o “autor da moção original” que, anos antes,
propunha a admissão de mulheres como sócias — uma visão que foi
finalmente aprovada e celebrada em julho daquele ano.
A concretização desse ideal teve o
Brasil como palco principal. A primeira mulher a tomar posse
oficialmente como associada ativa, com pleno direito a voto e cargos,
foi a brasileira Maria Nydia Manzano de Freitas, apadrinhada
pelo CL Salvador Sindona Filho, em evento histórico que ocorreu em 4 de
julho de 1987, no Lions Clube de Assis, em São Paulo, apenas três dias
após a aprovação da mudança estatutária em Taiwan, simbolizando o fim
de uma restrição de sete décadas e abriu caminho para uma nova era.
A história registra ainda outros marcos femininos fundamentais que pavimentaram este caminho.
Desde 1925, com Helen Keller sendo nomeada a primeira Sócia Honorária e desafiando os Leões a serem os "Paladinos da Visão", passando pela dedicação de Rose Amanda Freeman, esposa do fundador Melvin Jones e peça-chave na fundação da associação em 1917, até a consagração de líderes como Louise Colombani, a primeira governadora (França, 1991), e Gudrun Yngvadottir, a primeira mulher a assumir a Presidência Internacional em 2018.
No Brasil, a ascensão feminina às
governadorias de distrito ganhou força no Ano Leonístico 1995/1996, com
a posse simultânea de quatro pioneiras: Maria Seleneh S. M. Pires (Distrito L-2), Tereza Costa e Silva (Distrito L-3), Maria Letícia B. Gonçalves (Distrito L-5) e Wilma Borges Barreto (Distrito L-14).
Posteriormente, a liderança se expandiu com Maria Rosilene Mestre Medeiros, a primeira mulher a presidir um Conselho de Governadores (2003/2004), e Dalva Ivone Chiapin Nobre de Azevedo, que assumiu a presidência do Distrito Múltiplo LB em 2019/2020.
Atualmente, em pesquisa realizada pelo
autor em março de 2026, a participação feminina no Lions Internacional
é vibrante: enquanto a média mundial feminina gira em torno de 27%, na
América Latina e no Brasil esse percentual alcança impressionantes
43,5%, provando que o legado de inclusão iniciado em 1987 continua a
florescer e a transformar comunidades em todo o país.
Autor: CL Izidoro de Hiroki Flumignan
Foto editada pelo autor através da IA a partir de foto original.
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